Um grupo de 42 homens oriundos da cidade de Madeiro e Luzilândia, no Piauí, encontra-se desde as 17 horas de quinta-feira (25.02) nos arredores da rodoviária de Porto Velho. Eles chegaram à Capital com a promessa de trabalho e acabaram sem dinheiro e sem perspectivas de retorno à terra natal. Segundo eles, um homem conhecido apenas por Ernane, que teria se apresentado como um dos diretores da empresa Consag, teria entrado em contato com Domingos Cristino, no Piauí, que também trabalha com barragens, solicitando os trabalhadores.
De acordo com Antônio José Nunes da Silva, porta voz do grupo, a promessa seria de que eles iriam trabalhar com armação e ferragens em uma das hidrelétricas do rio Madeira e essas negociações estavam sendo feitas desde 5 de janeiro deste ano. Ele afirma que o combinado era que ao chegar a Porto Velho eles teriam alojamento, alimentação e receberiam por hora de serviço o valor de R$ 4,10 para armador, R$ 3,40 meio oficial, R$ 2,96 o ajudante. O contato deles os receberia na rodoviária.
No dia 22 de fevereiro, por intermédio de Domingos, eles receberam a confirmação de que poderiam vir, pois já estava tudo acertado. A partir daí houve uma mobilização destes trabalhadores. Alguns venderem bens pessoais como motos e outros, crentes na promessa de trabalho, contraíram dívidas com a esperança de pagarem posteriormente, uma vez que deveriam vir por conta própria. Eles desembolsaram em média R$ 400 para vir para Porto Velho.
Ao entrarem no Estado eles fizeram o contato com o tal de Ernane, avisando que estavam chegando e ao desembarcarem na tarde de quinta o Ernane já não atendia mais os telefonemas. Roberto Carlos, um dos integrantes do grupo, relata que ele apareceu por volta das 19 horas e falou que não iria mais contratar, que conversaria com Michel, que aparentemente seria um superior, para ver a se mandaria todos embora ou aproveitaria alguns.
Temerosos, eles falam que gostariam de ir embora, pois expostos na rua não sabem o que pode acontecer, além do receio de que se aceitarem o trabalho oferecido, após toda essa confusão o batente poderia ser mais pesado ou degradante.
Seleção
Procurado via telefone pela reportagem do Jornal Diário da Amazônia, Ernane, que se apresentou como assistente administrativo da Consag e não quis informar o sobrenome, afirmou que não há vinculo nenhum dos trabalhadores com a empresa, pois a mesma só recruta trabalhadores com encaminhamento do Serviço Nacional de Emprego (Sine), uma das parceiras do grupo. No processo de seleção é expedida uma carta de referência e eles não possuem tal documento, além disso, foi avisado para eles não virem, pois não estão sendo cadastrados na empresa nem os trabalhadores de Porto Velho que procuram o escritório atrás de trabalho.
Por telefone, Domingos Cristino, o contato no Piauí, lamentou a “lambança” dizendo que sentia muito pelo ocorrido, ressaltando que havia um combinado, ainda que verbal, mas que é tão vítima quanto os integrantes do grupo.
Depois da falsa promessa: Trabalhadores voltam hoje para o Piauí.
Os barrageiros enganados com uma falsa promessa de emprego vão voltar hoje para o Piauí. Depois de acordo definido entre as construtoras da usina de Jirau, Camargo Corrêa e Consarg, em audiência realizada ontem no Ministério Público do Trabalho (MPT) os 41 trabalhadores vão receber uma indenização de R$ 1.500 cada com previsão de ser repassada ainda hoje. O dinheiro é para pagar as despesas da vinda para Porto Velho e o retorno para casa dos trabalhadores. Só a passagem de volta custa R$ 430.
Segundo o representante do sindicato dos trabalhadores da construção civil (STICCERO), Anderson Machado, os trabalhadores aceitaram a proposta das construtoras e a principio não vão entrar com uma ação judicial por danos morais. “Eles querem só voltar para casa”, disse. De acordo com Machado, ao todo eram 44 barrageiros, sendo que três foram embora no último final de semana. “Não conseguimos entrar em contato com aqueles que retornaram para buscar uma indenização para eles também”, afirmou.
Após a frustração de verem o sonho do trabalho ir por água abaixo e dormirem dois dias na rodoviária, sem comida, os trabalhadores já haviam afirmado o desejo de voltar para casa, pois estavam com medo de represálias das construtoras. “Eles vão querer maltratar a gente depois que procuramos o Ministério Público”, disse o trabalhador Francisco da Chagas Teixeira que deixou mulher e sete filhos na terra natal por causa da promessa de emprego.

Barrageiros enganados com uma falsa promessa de emprego
Fonte: Diariodaamazonia