Neste ano de 2010, por ocasião do 5º Encontro de Congraçamento de Luzilandense em Teresina, os dez homenageados receberão o troféu “Murilo Braga”.
Há 58 anos, mais precisamente em abril de 1952, morria um dos homens mais influentes de nosso país, na época, o luzilandense Murilo Braga de Carvalho, que foi na verdade, uma grande expressão nacional, expoente como Educador brasileiro, triunfal renovador do ensino no Brasil.
Semelhante a Petrônio Portela, que chegou a ser Ministro da Justiça e só não foi Presidente da República porque veio a falecer, também Murilo Braga exerceu importantes cargos de reconhecimento nacional e até internacional politicamente, e esteve cogitado para ser Ministro da Educação no governo do Presidente Vargas.
Homem mais influente do MEC e uma das inteligências mais cheias de possibilidades que já se conheceu naquela época, o exemplo da sua atividade nunca foi esquecido. Sua morte repercutiu em todo território nacional.
Muito mais que Gaspar Dutra, Murilo Braga era o homem de maior confiança do Presidente Getúlio Vargas, de quem foi assessor direto na pasta da educação e ficou conhecido nacionalmente como “Murilo Braga do MEC” ou “Murilo Braga de Luzilândia”.
Era formado em Direito. Foi Diretor da Divisão do DASP em 1939 e Diretor do INEP-Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos. Organizador de Planos de Construções Escolares em todo Brasil. Professor e educador de renome nacional. Deu grande contribuição para a educação brasileira, em especial ao experimento do Ensino Rural. Nunca negou ser luzilandense, nem mesmo nos centros das decisões do país.
Murilo Braga de Carvalho nasceu por volta de zero hora do dia 08 de dezembro de 1911, era neto de João Francisco de Carvalho Filho e seu nascimento está registrado no Cartório do 2º Oficio de Luzilândia, às fls. 52/52/V, do Livro A-01, registro testemunhado por José Teles e por Manoel Pires.
Formou-se Bacharel em Direito em 1937 pela Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil, hoje Universidade Federal do Rio de Janeiro, mas não se dedicou à carreira de advogado.
No dia 13 de janeiro de 1937, o INEP foi criado, por lei, sendo chamado inicialmente de Instituto Nacional de Pedagogia. No ano seguinte, o órgão iniciou seus trabalhos de fato, com a publicação do Decreto-Lei nº. 580, regulamentando a organização e a estrutura da instituição e modificando sua denominação para Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos, organismo do Ministério da Educação.
Em 1938, Murilo Braga tornou-se Técnico de Educação por concurso público em que alcançou o primeiro lugar. Logo foi designado para exercer a chefia da Seção de Psicologia Aplicada do INEP. Diretor da Divisão de Seleção do Departamento Administrativo do Serviço Público – DASP. Planejou e executou os concursos de seleção de pessoal de órgãos federais, em todo o país, no início da década de 40.
Em fevereiro de 1946, com o fim do Estado Novo, Murilo Braga substituiu a Lourenço Filho, Diretor do INEP-Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos.
Como Diretor nomeado do INEP, organizou o plano de construções escolares com recursos federais, em todo o Brasil, e de desenvolvimento de escolas normais para a formação de professores. Iniciou convênios com os Estados para o aperfeiçoamento de professores, criando bolsas de estudo na cidade do Rio de Janeiro, à época capital federal.
Com a extinção da Diretoria do Ensino Primário e Normal, e a passagem das suas atribuições para o INEP, junto com a administração dos recursos do Fundo Nacional do Ensino Primário, passou a ocupar a quase totalidade da atenção do instituto: a tarefa de construir escolas em zonas rurais, nas fronteiras e nas áreas de colonização estrangeira, levaram à necessidade de estudos a respeito do melhor tipo de prédio para grupos escolares, escolas isoladas, escolas normais. Da função de administrador do Fundo Nacional do Ensino Primário surgiu um novo setor, o de Aperfeiçoamento do Magistério, que oferecia cursos de especialização no Distrito Federal, para professoras primárias do interior, em regime de bolsas de estudo.
Embora indicado para assistente da cátedra de Psicologia Educacional da Faculdade de Filosofia da hoje Universidade do Estado do Rio de Janeiro, da qual era titular o eminente prof. Lourenço Filho, nunca a exerceu efetivamente. No entanto, deixou apreciável número de trabalhos, dentre os quais:
1) As classes homogêneas e os testes ABC, em 1933;
2) "O datilógrafo" (Relatório apresentado ao Conselho Federal de Serviço Público), em colaboração com o Professor Lourenço Filho, publicado em 1938, e com a conclusão também publicada na Revista do Instituto de Organização Racional do Trabalho - IDORT;
3) "Validade e fidedignidade nos testes coletivos de inteligência" (1948);
4) "Seleção do pessoal: seus objetivos e seus problemas" (1951).
Na cidade de Barra do Piraí - RJ existe uma escola com o seu nome, por certo testemunhando o quanto lutou para que se instalassem escolas em todo o país.
A administração de Murilo Braga no INEP-Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos, estendeu-se até abril de 1952, quando veio a falecer na floresta ao sul da Região Amazônica, num acidente com o “avião Presidente”, da Pan American, quando se dirigia para os Estados Unidos, para representar o Brasil num Congresso Internacional de Educação. Sua morte cortou sua triunfal carreira de renovador do ensino no Brasil, e o exemplo da sua atividade nunca foi esquecido.
O filho de Dona Maria Benvinda Mendes Braga de Carvalho, foi homenageado com nomes de obras públicas em quase todos os estados brasileiros, como em Goiás, Pernambuco, Bahia, Paraíba, Rio de Janeiro, Alagoas, Rondônia, Santa Catarina, Rio Grande do Sul. Só não teve ainda o reconhecimento na sua Luzilândia, onde não existe sequer, um logradouro público que leve o seu nome, o que é vergonhoso. A omissão das autoridades municipais tem feito de Luzilândia, uma cidade sem cultura ou mesmo aculturada, e o que é pior, sem memória.
Até mesma na vizinha cidade de União, no Piauí, existem uma Unidade Escolar com o nome de Murilo Braga.
Em Teresina, a prefeitura municipal homenageou o luzilandense com o nome de uma rua, que atravessa os Bairros São Pedro, Macaúba e Monte Castelo, na zona sul da cidade, e um colégio no Bairro Marques de Paranaguá.
Em Luzilândia encontramos como parentes de Murilo Braga, a pessoa de Angélica Braga, filha de Genésio Braga (falecido) e todos os membros da família Carvalho.
Genésio Braga na qualidade de primo de Murilo Braga, gostava de comentar “nas rodas” com amigos como Raimundo Marques, Marechal, Joca Marques, Durvalino e outros, a ironia do destino. Dizia que Murilo estava cogitado para ser Presidente da República e morreu exatamente no “avião Presidente”.
SOBRE A ESCOLA MUNICIPAL MURILO BRAGA EM TERESINA.
A Escola Municipal Murilo Braga foi construída na gestão do Ministro da Educação e Saúde Simões Filho, tendo como prefeito de Teresina na época, Dr. João Mendes Olímpio de Melo e contratante construtor, engenheiro C.A. Araújo Costas. A obra foi inaugurada em 16 de agosto de 1952.
Ao notável piauiense de Luzilândia, foi dado nome àquela escola, em reconhecimento à sua luta pela construção, ampliação e grupos escolares para combate ao analfabetismo.
A Escola Municipal Murilo Braga de Teresina, funciona desde 1952, quando ainda era denominada Grupo Escolar Murilo Braga, oferecendo Ensino Fundamental de 1º ao 5º Ano (Antigo Primário) no turno diurno e desde 1986 atendendo também a jovens e adultos, através do EJA (Educação de Jovens e Adultos).
Ao longo de todos esses anos a instituição tem procurado com esforço de seu corpo administrativo pedagógico, oferecer uma educação de ótima qualidade e uma administração cooparticipativa.
A Gestão Democrática, implantada em 1986, com eleição direta de seus gestores a escola fundamenta-se na democratização do ensino e nos direitos do cidadão.